domingo, 27 de setembro de 2015

Uma vida confusa - Antonio Melo


UMA VIDA CONFUSA
Despi-me de um amor que me amava tanto, 
Que eu nem sei o quanto ela me amava; 
Nem se quer enxuguei o seu santo pranto; 
Ela voou para outro canto, 
Gerando o rebento que queríamos tanto...   
Vesti-me de alguém que eu não amava tanto; 
Mas sua imensa beleza cobriu-me com um manto, 
E a cega paixão e desejos, que eram tantos, 
Que nem sei mais o quanto eu me consumia...   
Naquele momento confuso em que eu vivia; 
Dela também um outro fruto nos veio... 
E daquele amor que eu amava tanto, 
Nasceu meu rebento; o que eu mais queria!   
Casou-se com outro que tanto lhe amava; 
Agora, do amor que eu não amava tanto; 
Mas que a paixão e o desejo me dominavam; 
Brotou o fruto que eu já tanto amava...   
Quando eu já; mais ainda confuso estava, 
Procurei o amor; aquela que eu amava tanto; 
Pois vocês não sabem, o quanto eu queria tanto, 
Que ela sorrindo para mim, voltasse!  
Mas, lembrando-se que eu não aplacara o seu pranto; 
Me disse que já não mais em mim, confiava;
Assim eu voltei com os meus olhos que lacrimejavam, 
Por afastar-me do fruto que eu queria tanto,
mas ele com ela ficara...   
Depois que o manto já não me ofuscava; 
E o meu coração já não mais me enganava; 
Sai do motivo que me confundiu; 
Parti para um canto que me aplaudiu, 
E vivi a saudade;
Aquela que eu mesmo causara...

Antonio Melo


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui o seu comentário!